A consultoria LandRoads divulgou um levantamento que aponta os defeitos mais comuns relatados por proprietários de carros chineses e revela quais marcas já se aproximam do padrão de confiabilidade das fabricantes alemãs. O estudo foi realizado com base em 6.950 incidências registradas no período e tem como objetivo medir a reputação das montadoras no próprio mercado chinês, onde a confiabilidade ainda é alvo de questionamentos por parte de consumidores ocidentais.
O ranking foi elaborado a partir do chamado Índice de Risco de Qualidade, indicador em que, quanto menor a pontuação, menor o número de problemas relatados. A média da indústria foi estabelecida em 215 pontos. Nesse cenário, marcas premium que já operam ou estão chegando ao Brasil aparecem acima da média, com resultados considerados positivos. A Avatr registrou 180 pontos, e a Zeekr, marca de luxo do grupo Geely, marcou 181 pontos, posicionando-se próximas de fabricantes alemãs tradicionais, como BMW, com 163 pontos, e Audi, com 172.
Outras empresas com presença no mercado brasileiro também ficaram na faixa superior do levantamento. A Geely Galaxy obteve 183 pontos, a Wey, divisão de luxo da GWM, somou 202 pontos, e a Denza alcançou 210 pontos. Todas permanecem abaixo da média da indústria chinesa, indicando menor incidência de reclamações em comparação ao padrão geral.
Entre as marcas de grande volume, o cenário é diferente. A BYD, líder entre os elétricos no Brasil, registrou 224 pontos, ficando acima da média do setor e demonstrando maior número de ocorrências iniciais do que as rivais premium. A Toyota aparece com 227 pontos, enquanto a Tank, linha off-road da GWM, atingiu 233 pontos. Em situação mais delicada estão a GAC Aion, com 298 pontos, e a Leapmotor, atualmente com suporte da Stellantis, com 304 pontos. A Chery aparece ainda mais distante, com 346 pontos, em desempenho semelhante ao da linha Hyper, ou Hyptec, da GAC.
O levantamento também identificou quais são os principais defeitos relatados. Ruídos internos lideram as queixas, representando 24,6% dos registros. Em seguida, aparecem falhas em componentes da carroceria, com 18%, e erros em sistemas inteligentes, com 17,3%. Juntas, essas ocorrências superam 60% das reclamações, indicando que acabamento, integração eletrônica e sistemas digitais ainda exigem maior maturação.
O relatório aponta ainda a existência de uma chamada zona de risco de alto equipamento, fenômeno que ocorre quando fabricantes introduzem novas funcionalidades de forma acelerada, sem tempo adequado de validação. Segundo a consultoria, marcas como Zeekr e Avatr conseguiram evitar esse problema ao apresentar sistemas mais estáveis e validados, o que ajuda a explicar sua posição no ranking e a estratégia de competir com o segmento premium alemão.
Foto: iStock

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