O Grupo Volkswagen poderá ampliar seu programa de cortes de custos e não descarta o fechamento de fábricas, segundo reportagem publicada na última terça-feira (16) pelo site da revista alemã Manager Magazin. A informação aponta que a cúpula da empresa, reunida no mês passado em Berlim, apresentou um plano de redução de despesas que pode chegar a 20% em todas as marcas até o fim de 2028. A medida ocorre diante da queda da demanda na China, do impacto de tarifas nos Estados Unidos e do aumento da concorrência global, fatores que pressionam os resultados financeiros do conglomerado.
De acordo com a publicação, o CEO Oliver Blume e o CFO Arno Antlitz detalharam uma agenda considerada massiva de contenção de gastos. Embora a companhia já tenha economizado dezenas de bilhões de euros, segundo um porta-voz, a nova meta prevê um corte adicional significativo. A revista Der Spiegel afirma que a economia pretendida pode alcançar aproximadamente 60 bilhões de euros, mas não há confirmação oficial sobre como o montante será atingido.
Entre as possibilidades citadas está o fechamento de unidades industriais. A reportagem indica que a direção em Wolfsburg não descarta encerrar outras fábricas após ter interrompido, em dezembro passado, a produção de veículos em Dresden. A chamada Fábrica Transparente, onde o Phaeton foi produzido no passado, tornou-se a primeira planta alemã da empresa a fechar em 88 anos, após o fim da produção do ID.3.
A retração nas vendas na China é apontada como um dos principais motivos para a nova rodada de ajustes. No último ano, as entregas no país recuaram 8%, totalizando 2,69 milhões de veículos. Em 2019, o grupo havia comercializado 4,23 milhões de unidades no mercado chinês, o que representa uma queda de cerca de 1,5 milhão de veículos, ou aproximadamente 36%, em seis anos. Além disso, as tarifas nos Estados Unidos e o avanço da concorrência internacional ampliam a pressão sobre a montadora.
O desempenho global também contribui para o cenário de cautela. Em 2025, as vendas mundiais do grupo caíram 0,5%, somando 8.983.900 unidades. O resultado permitiu que a Toyota mantivesse a liderança mundial pelo sexto ano consecutivo, com 11.322.575 veículos entregues no mesmo período, considerando as subsidiárias Lexus, Daihatsu e Hino.
A empresa já anunciou a redução de 35 mil vagas na Alemanha até o fim da década. O corte adicional de até 20% nos custos se somaria aos 15 bilhões de euros que o grupo espera economizar anualmente, no médio prazo, por meio da diminuição do quadro de funcionários e da eliminação de turnos de produção no país.
Apesar do cenário desafiador, o conglomerado prepara uma nova ofensiva de veículos elétricos mais acessíveis. Entre os lançamentos previstos está o ID. Polo, com preço estimado em 25 mil euros, além de uma versão derivada em formato de crossover. Para 2027, está programado um modelo elétrico de entrada na faixa de 20 mil euros, que substituirá indiretamente o e-up!, descontinuado anteriormente. Marcas como Audi, Skoda e Cupra também devem ampliar suas linhas de elétricos para fortalecer o portfólio do grupo.
Foto: Divulgação/Volkswagen

Leave a Reply