O varejo piscou. As frotas sorriram. E as chinesas avançaram

O varejo piscou. As frotas sorriram. E as chinesas avançaram

O mercado brasileiro, em fevereiro de 2026, emplacou 176.690 unidades, contra 162.328 em janeiro. Crescimento? Sim. Mas o motor desse avanço foram as vendas diretas.

Enquanto o varejo caiu de 95.747 para 91.338 unidades, recuo de 4,6%, o canal de vendas diretas saltou de 66.581 para 85.352 veículos. São mais de 18 mil unidades adicionais em apenas um mês. A participação das vendas diretas saiu de 41% para 48,3%. Quase metade do mercado.

A Fiat passou de 21,1% para 22,5%. A Volkswagen saiu de 15,9% para 16,6% e manteve consistência. Já a GM caiu de 10,1% para 9,5%, mesmo permanecendo no top 3. O trio ainda concentra praticamente metade do mercado.

No bloco do meio, o cenário ficou ainda mais interessante. A Hyundai subiu de 6,3% para 6,9%. A BYD avançou de 6,0% para 6,5%, consolidando-se na quinta posição, à frente da Toyota, que ficou estável em 5,9%.

A Renault também reagiu, saindo de 4,8% para 5,4%. A Jeep avançou de 3,9% para 4,7%. Já a Honda subiu levemente, de 4,1% para 4,3%, mas perdeu posição no ranking. A Nissan saiu do top 10, dando lugar à Great Wall, que entrou com 2,8%. A marca chinesa aparece entre as dez maiores do país, com 2,8% de participação. Pode parecer um número pequeno à primeira vista, mas, simbolicamente, é grande. Estamos falando de uma empresa relativamente nova no Brasil que já figura no ranking nacional.

Ranking – Fevereiro 2026

  1. Fiat – 22,5%
  2. VW – 16,6%
  3. GM – 9,5%
  4. Hyundai – 6,9%
  5. BYD – 6,5%
  6. Toyota – 5,9%
  7. Renault – 5,4%
  8. Jeep – 4,7%
  9. Honda – 4,3%
  10. Great Wall – 2,8%

E, enquanto o ranking se reorganiza mês a mês, o avanço chinês segue acelerando. A GWM anunciou neste mês uma nova fábrica no Brasil, reforçando que sua estratégia não é de curto prazo. Já a BYD continua superando marcas tradicionais e ampliando presença com uma comunicação agressiva e bem estruturada. A fabricante tem utilizado forte exposição no horário nobre da TV aberta, além de patrocínios em eventos esportivos, culturais e agropecuários. Detentora de mais de 70% do mercado de veículos 100% elétricos, a marca consolida sua imagem como referência tecnológica no país. O crescimento é visível, o posicionamento é claro, mas a dúvida que sempre retorna é sobre a capacidade de pós-venda dessas montadoras chinesas: rede, peças, atendimento e estrutura para sustentar essa expansão.

A pergunta que fica é simples e provocadora: o avanço chinês está construindo uma base sólida de longo prazo no Brasil ou ainda precisa provar que consegue sustentar, no pós-venda, a mesma velocidade que apresenta nas vendas e no marketing?

Foto: Divulgação

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