Mercedes prepara nova geração de elétricos com arquitetura chinesa da Geely

Mercedes prepara nova geração de elétricos com arquitetura chinesa da Geely

A Mercedes-Benz iniciou na China o desenvolvimento de uma nova plataforma de veículos elétricos baseada na arquitetura eletrônica da Geely. A iniciativa foi revelada pela mídia chinesa 36Kr e ocorre em meio à pressão da indústria por veículos elétricos mais baratos e automóveis definidos por software. O projeto está sendo conduzido no centro de pesquisa e desenvolvimento da montadora no país asiático e representa, segundo a reportagem, a primeira vez em cerca de 130 anos que a empresa concede autoridade para o desenvolvimento independente de uma nova plataforma a uma estrutura fora da Alemanha.

De acordo com as informações divulgadas, o centro chinês de pesquisa passará a atuar como sede global para o desenvolvimento de veículos compactos da marca. Enquanto isso, as equipes alemãs permanecerão responsáveis pela criação de modelos médios e grandes. Fontes do setor citadas pela publicação afirmam que a nova base tecnológica recebeu o codinome Phoenix e foi planejada para sustentar uma futura geração de veículos elétricos de entrada destinados a mercados globais.

A previsão inicial é que os primeiros modelos baseados nessa plataforma entrem em produção por volta de 2030. Quando concluída, a estrutura deverá substituir a atual plataforma MMA e servir de base para diversos modelos compactos vendidos mundialmente, incluindo futuras gerações de veículos como A-Class, B-Class, GLA, GLB e CLA.

Segundo a reportagem, executivos da Mercedes têm visitado com frequência o centro de pesquisa da Geely em Hangzhou Bay desde o fim de janeiro. O objetivo dessas reuniões seria discutir uma possível colaboração no desenvolvimento da arquitetura eletrônica e elétrica dos veículos, componente considerado fundamental na estrutura dos automóveis modernos.

Esse tipo de arquitetura define a forma como os sistemas do veículo são integrados e gerenciados. Ela sustenta tecnologias como assistência avançada ao condutor, conectividade digital e cockpits eletrônicos, sendo considerada por diversas montadoras como o núcleo tecnológico dos carros inteligentes.

As fontes indicam que a Mercedes está avaliando um conceito baseado na arquitetura GEEA 4.0, desenvolvida pela Geely, projetada para aplicações tanto em veículos elétricos quanto em modelos com motores a combustão. A geração anterior, chamada GEEA 3.0, estreou no modelo Galaxy E5 em 2024 e teria sustentado vendas superiores a um milhão de unidades, segundo pessoas ouvidas pela publicação.

Nos bastidores, o fator custo aparece como uma das principais motivações para o projeto. Fontes próximas à empresa afirmam que, nos últimos um a dois anos, a Mercedes tem analisado de forma mais detalhada os métodos utilizados por fabricantes chineses para reduzir despesas na produção de veículos.

Ainda segundo a reportagem, o CEO da Mercedes-Benz, Ola Källenius, realizou várias reuniões no fim do ano passado com executivos da companhia para discutir o rumo estratégico da empresa. Nesses encontros, a necessidade de reduzir custos e recuperar a lucratividade teria sido apontada como tema central, reforçando que a plataforma Phoenix surge como parte da resposta da empresa à pressão financeira.

A montadora também teria se impressionado com a engenharia chinesa após um estudo interno de desmontagem completa do Zeekr 001, modelo da marca premium do grupo Geely. Engenheiros da Mercedes teriam reconhecido a qualidade técnica do veículo, mas destacaram que o custo final do modelo é significativamente menor do que o de um Mercedes comparável.

O movimento é apresentado como parte de uma tendência mais ampla da indústria automotiva global. Nos últimos anos, montadoras tradicionais passaram a buscar parcerias tecnológicas com empresas chinesas especializadas em veículos elétricos e sistemas digitais.

Entre os exemplos citados estão a parceria da Volkswagen com a Xpeng, a cooperação da Stellantis com a Leapmotor e a colaboração da Renault com a Geely. A reportagem também menciona que a Ford estaria discutindo uma possível cooperação com a Geely em áreas como sistemas de direção autônoma e software de conectividade inteligente.

Segundo a análise apresentada, esse cenário aponta para uma mudança no modelo tecnológico que marcou a indústria chinesa por décadas. Enquanto, no passado, o país importava tecnologia automotiva de fabricantes estrangeiros, empresas chinesas agora começam a exportar soluções centrais para montadoras globais que ainda enfrentam desafios para desenvolver software competitivo e plataformas avançadas para veículos elétricos e inteligentes.

Foto: Divulgação

Leave a Reply

Your email address will not be published.