O COO da Stellantis na América do Sul, Herlander Zola, afirmou que as medidas adotadas pelo governo federal para proteger a indústria automotiva brasileira ainda são insuficientes diante do avanço de veículos importados, principalmente de marcas chinesas. A avaliação foi feita durante entrevista ao programa Jornal do Carro, da Rádio Eldorado, conforme matéria publicada neste sábado (14) pelo Estadão. Segundo o executivo, o crescimento das importações pode reduzir a competitividade das montadoras que produzem no país e comprometer a geração de empregos e a cadeia de fornecedores locais.
De acordo com Zola, os veículos de marcas chinesas já representam quase 10% das vendas totais no mercado brasileiro. Grande parte desse volume é composta por carros importados, o que, na avaliação do executivo, contribui para a perda de participação de fabricantes que mantêm produção no Brasil. Esse movimento, segundo ele, tende a diminuir a atividade industrial no país, com impactos diretos sobre a geração de empregos e a demanda por insumos e componentes produzidos localmente.
O executivo também comentou as recentes mudanças na política de importação de kits CKD e SKD, conjuntos de peças utilizados para a montagem de veículos no Brasil. Esse modelo permite a importação de automóveis desmontados ou semidesmontados para montagem local. Desde julho de 2025, o governo federal havia reduzido os tributos para esse tipo de operação, medida que vigorou por seis meses e permitiu a entrada desses conjuntos com impostos mais baixos.
As alíquotas voltaram gradualmente ao patamar de até 35% em fevereiro deste ano, encerrando o período de redução tributária. A medida havia provocado movimentação entre montadoras que utilizam esse modelo de produção, especialmente empresas que se apoiam na importação de conjuntos para montagem no país.
Segundo Zola, caso o governo não adote políticas mais rigorosas para limitar o avanço de veículos e componentes importados, existe o risco de que a importação de conjuntos desmontados se torne um modelo predominante no mercado brasileiro. Nesse cenário, empresas poderiam optar por trazer veículos praticamente prontos do exterior em vez de realizar investimentos industriais no país.
Na avaliação do executivo, essa mudança de estratégia poderia provocar impactos significativos na cadeia automotiva brasileira, reduzindo investimentos produtivos e afetando o ecossistema de fornecedores, empregos e desenvolvimento tecnológico associado à indústria instalada no país.
Foto: Fiat/Divulgação

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