O CEO da Ford Motor Co., Jim Farley, afirmou na segunda-feira (13), em entrevista à Fox News, que a entrada de carros de montadoras chinesas nos Estados Unidos seria devastadora para a indústria local, ao colocar em risco a manufatura, os empregos e a base produtiva do país. A declaração foi feita durante participação no programa Fox & Friends, em meio ao avanço global das marcas chinesas e ao debate crescente sobre os impactos econômicos e estratégicos dessa concorrência.
Segundo Farley, a indústria manufatureira representa o coração da economia americana, e perder espaço para veículos importados da China significaria um impacto relevante para o país. Atualmente, os Estados Unidos aplicam tarifas de 100 por cento sobre veículos elétricos produzidos em território chinês, medida que tem limitado a presença de empresas como BYD Co. e Xiaomi Corp. no mercado local.
Mesmo com essas barreiras, o executivo destacou que os veículos chineses, com preços mais baixos e alto nível de tecnologia, avançam em outros mercados, o que gera pressão indireta sobre a indústria americana. Ele citou o caso do México, onde a BYD responde pela maior parte das vendas de veículos elétricos e híbridos plug in, além do Canadá, que firmou acordo para importar até 49 mil carros por ano da China.
Farley afirmou esperar que esses veículos não cheguem aos Estados Unidos por meio de países vizinhos e defendeu que o tema tenha peso nas negociações para revisão do acordo comercial entre Estados Unidos, Canadá e México. Para ele, o apoio direto do governo chinês às montadoras cria uma vantagem competitiva que torna a disputa desigual para empresas sediadas nos Estados Unidos.
O executivo também levantou preocupações relacionadas à segurança nacional. Segundo ele, os veículos chineses possuem diversos sensores e sistemas de conectividade, incluindo câmeras, que podem coletar dados durante sua circulação, o que amplia o debate sobre o uso dessas informações.
A discussão ganhou dimensão política após o presidente Donald Trump afirmar, em janeiro, durante evento no Detroit Economic Club, que poderia permitir a entrada de montadoras chinesas no país caso elas instalassem fábricas e gerassem empregos locais. Após a declaração, Farley sugeriu que eventuais operações ocorram por meio de parcerias em que empresas americanas tenham controle majoritário.
O tema deve permanecer no centro das atenções nas próximas semanas, com a viagem prevista de Trump a Pequim para encontro com o presidente Xi Jinping, em um contexto em que a indústria automotiva se consolida como um dos principais pontos de tensão e negociação entre as duas potências.
Foto: Divulgação/Ford

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