Usados sobem 2,9% em abril, mas novos mais baratos já pressionam os preços

Usados sobem 2,9% em abril, mas novos mais baratos já pressionam os preços

O mercado brasileiro de veículos seminovos e usados manteve ritmo de crescimento em abril de 2026, mesmo diante de um cenário que começa a indicar mudanças estruturais no setor automotivo. Segundo dados divulgados pela FENAUTO, a média diária de vendas chegou a 85.006 unidades por dia útil, alta de 11,7% em relação a março, mesmo com um calendário reduzido.

No total, foram negociadas 1.530.108 unidades no mês, avanço de 2,9% sobre abril de 2025. Quando ajustado pelo número de dias úteis, o crescimento atinge 14,3%, evidenciando ganho de eficiência nas transações. No acumulado do ano, o setor soma 5.908.170 unidades comercializadas, crescimento de 10% em volume nominal e de 11,3% na média diária frente ao mesmo período do ano passado.

O dado, no entanto, precisa ser lido dentro de um contexto mais amplo. O mercado de veículos novos começa a passar por uma reconfiguração relevante, pressionado pela entrada mais agressiva de marcas chinesas, que chegam com maior nível de tecnologia embarcada e preços mais competitivos. Esse movimento já provoca ajustes nos valores dos modelos zero quilômetro, ampliando a concorrência e forçando o reposicionamento das montadoras tradicionais.

Na prática, essa pressão tende a se refletir também no mercado de usados. Com carros novos mais acessíveis e tecnologicamente mais avançados, a tendência natural é de desvalorização dos seminovos ao longo do tempo, à medida que o consumidor passa a comparar de forma mais direta o custo-benefício entre o novo e o usado. Trata-se de um efeito ainda em formação, mas que pode alterar a dinâmica de preços e margens no segmento.

Mesmo diante dessa perspectiva, os números de abril mostram que o mercado de usados segue resiliente no curto prazo.

Além disso, fatores como restrições de crédito, diferença de preço ainda significativa em relação ao zero quilômetro e maior disponibilidade de oferta continuam favorecendo o giro de veículos usados. Esse conjunto mantém o segmento aquecido, mesmo com a pressão estrutural que começa a se desenhar.

Na avaliação do presidente da FENAUTO, Everton Fernandes, o desempenho de abril ficou dentro do esperado para um mês com menos dias úteis, mas com média diária elevada e acumulado relevante na comparação anual. A expectativa é de um fechamento positivo para 2026, ainda que com acompanhamento atento das mudanças no ambiente competitivo.

AUTO
– VW – GOL 61.175
– GM – ONIX 38.937
– HYUNDAI – HB20 37.388

COMERCIAIS LEVES
– FIAT – STRADA 36.777
– VW – SAVEIRO 21.777
– TOYOTA – HILUX 17.514

MOTOS
– HONDA – CG150 81.672
– HONDA – BIZ 39.055
– HONDA – NXR150 27.687

COMERCIAIS PESADOS
– VOLVO – FH 2.547
– FORD – CARGO 2.273
– M.BENZ – AXOR 1.382

O avanço do mercado de usados, portanto, convive com um ponto de inflexão importante. Se, no curto prazo, os números seguem positivos, no médio prazo o impacto da nova concorrência no mercado de veículos novos pode redefinir preços, margens e estratégias. O setor entra em uma fase em que crescimento e pressão convivem ao mesmo tempo, exigindo uma leitura mais estratégica dos próximos movimentos.

Foto: Reprodução/Volkswagen

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