A chinesa Dongfeng iniciará suas operações no Brasil em agosto de 2026, trazendo dois veículos elétricos ao mercado nacional e utilizando a estrutura industrial da Nissan em Resende, no Rio de Janeiro. A estratégia marca mais um avanço das montadoras chinesas sobre a indústria automotiva brasileira em um momento de expansão acelerada dos eletrificados e de reaproveitamento da capacidade ociosa das fábricas instaladas no país.
A operação deverá começar com os modelos Dongfeng Box e Dongfeng Vigo, ambos elétricos. O Box será o veículo de entrada da marca no Brasil e disputará espaço em um dos segmentos mais competitivos do mercado nacional, enfrentando modelos como BYD Dolphin, Geely EX2 e GAC Aion UT. Na China, o modelo é vendido como Nammi 01 e traz motor elétrico de 95 cavalos, além de duas opções de bateria, de 31,45 kWh e 42,3 kWh, com autonomia de até 430 quilômetros.
A expectativa é que o hatch chegue ao mercado brasileiro na faixa de R$ 130 mil, podendo atingir valores próximos de R$ 120 mil em campanhas promocionais de lançamento. O posicionamento reforça a estratégia das fabricantes chinesas de ampliar a pressão sobre as montadoras tradicionais por meio de preços mais agressivos e elevado nível de equipamentos.
Já o Dongfeng Vigo, chamado de Nammi 06 no mercado chinês, será o SUV compacto da operação brasileira. O modelo possui 4,30 metros de comprimento, motor elétrico de 184 cavalos e bateria de até 51,87 kWh, conjunto que entrega autonomia de até 471 quilômetros. Pelo porte e desempenho, o SUV deve atuar na faixa dos R$ 180 mil, mirando consumidores que buscam veículos elétricos mais potentes sem alcançar os preços praticados por marcas premium.

A chegada da Dongfeng amplia um movimento que vem transformando o setor automotivo brasileiro nos últimos anos. Com o avanço das marcas chinesas, fábricas antes vistas como estruturas subutilizadas passaram a ganhar importância estratégica para novas operações industriais. O complexo da Nissan em Resende surge justamente como um dos principais ativos dessa nova fase, funcionando como possível plataforma de produção, montagem e distribuição para fabricantes chinesas interessadas em acelerar presença no Brasil.
O movimento também evidencia uma mudança no equilíbrio global da indústria automotiva. Mais do que exportar veículos, as montadoras chinesas passaram a buscar presença industrial local em mercados estratégicos, reduzindo custos logísticos, aumentando competitividade e criando condições para ampliar participação regional. No caso brasileiro, a ofensiva ocorre em paralelo ao crescimento acelerado da demanda por veículos eletrificados, segmento em que as empresas chinesas vêm assumindo posição dominante.
Foto: Reprodução

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