Adamastor Furia coloca Portugal na disputa global dos hipercarros de luxo

Adamastor Furia coloca Portugal na disputa global dos hipercarros de luxo

O Adamastor Furia, primeiro supercarro totalmente concebido e fabricado em Portugal, entrou na fase final de testes de validação em estradas e pistas da Europa antes do início da produção comercial, prevista para o fim de 2026. Desenvolvido artesanalmente na cidade de Matosinhos por uma equipe de 48 profissionais, o modelo nasceu com o objetivo de posicionar a engenharia automotiva portuguesa em um segmento historicamente dominado por fabricantes tradicionais da Itália, Alemanha e Reino Unido. A iniciativa também representa uma tentativa de inserir Portugal no mercado global de veículos de ultraluxo e alto desempenho, apostando em exclusividade, tecnologia e produção limitada.

O projeto combina soluções modernas de engenharia com um processo de fabricação artesanal voltado para colecionadores e entusiastas de diferentes mercados internacionais. A estratégia segue uma tendência crescente entre pequenas fabricantes independentes europeias, que passaram a disputar espaço no segmento de supercarros ao focar em baixa escala de produção, personalização e desempenho extremo. Nesse cenário, o Furia surge não apenas como um carro de nicho, mas também como uma vitrine tecnológica capaz de ampliar a visibilidade internacional da indústria automotiva portuguesa.

O supercarro utiliza um motor 3.5 V6 biturbo da divisão Ford Performance, configurado para entregar 750 cv de potência e 102,0 kgfm de torque. A utilização de um conjunto mecânico já consolidado no mercado reduz custos de desenvolvimento e aumenta a confiabilidade do projeto, prática comum entre fabricantes independentes de veículos de alto desempenho. Mesmo assim, a Adamastor desenvolveu de forma própria elementos centrais do carro, como a estrutura, o acerto dinâmico e a aerodinâmica.

A construção em fibra de carbono permitiu que o Furia atingisse um peso seco de apenas 1.100 kg, criando uma relação peso-potência próxima à de hipercarros produzidos por marcas tradicionais do setor. Segundo a fabricante, o modelo acelera de 0 a 100 km/h em 2,4 segundos, desempenho que o aproxima dos esportivos híbridos e elétricos mais rápidos atualmente disponíveis no mercado global.

O principal diferencial técnico do modelo, porém, está no trabalho aerodinâmico. O desenho da carroceria foi desenvolvido para priorizar eficiência dinâmica e estabilidade em altas velocidades, utilizando o conceito de efeito solo como elemento central do projeto. O fundo do veículo recebeu túneis Venturi projetados para acelerar o fluxo de ar sob o carro e aumentar significativamente a pressão aerodinâmica sem depender de asas traseiras excessivamente grandes.

Na prática, a solução permite ao Furia gerar 1.000 kg de downforce a 250 km/h na configuração homologada para uso em vias públicas, índice superior ao registrado por carros de categorias de base do automobilismo internacional, como Fórmula 2 e Fórmula 3. O dado reforça uma mudança importante no mercado de supercarros, que passou a valorizar não apenas velocidade máxima, mas também comportamento em curvas, aderência e desempenho em pista.

Por isso, a velocidade final foi limitada a pouco menos de 300 km/h. A decisão mostra uma proposta mais voltada à eficiência dinâmica do que a recordes absolutos de velocidade, refletindo o perfil atual de muitos compradores desse segmento, que buscam experiências de condução mais próximas das competições e da utilização em track days.

A produção do Adamastor Furia será restrita a apenas 60 unidades da versão de estrada. O preço inicial foi definido em 1,6 milhão de euros, cerca de R$ 9,3 milhões em conversão direta. Mesmo antes do início oficial das entregas, o modelo já começou a despertar interesse de compradores em mercados estratégicos para veículos de ultraluxo, como Emirados Árabes Unidos e Canadá.

Foto: Divulgação/Adamastor Furia

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