BYD quer liderar o mercado brasileiro até 2030 e aposta em 50% de conteúdo local já em 2027

BYD quer liderar o mercado brasileiro até 2030 e aposta em 50% de conteúdo local já em 2027

A BYD pretende elevar para cerca de 50% o conteúdo local de seus veículos produzidos no Brasil até 1º de janeiro de 2027, na fábrica de Camaçari (BA), como parte de um plano para se tornar a maior fabricante em volume no mercado brasileiro até 2030. A estratégia, revelada pela Reuters com base em entrevistas com executivos da companhia, inclui a ampliação da nacionalização de componentes, o fortalecimento da cadeia de fornecedores e a utilização do país como base exportadora para o Mercosul, com o objetivo de ganhar competitividade e escala industrial ao longo da década.

De acordo com a Reuters, a montadora acelera a transição de uma operação baseada majoritariamente em kits semidesmontados (SKD) para um modelo com maior integração produtiva local. A empresa considera o regime atual como uma etapa temporária de entrada no mercado e trabalha para estruturar uma cadeia de suprimentos nacional que torne a produção economicamente viável no longo prazo, especialmente diante do fim de benefícios tarifários que favoreceram a importação desses kits.

Instalada na antiga fábrica da Ford, a unidade baiana já produziu cerca de 25 mil veículos desde outubro e passa por expansão para incorporar processos completos de estamparia, soldagem e pintura ainda ao longo deste ano. O investimento inicial previsto para a primeira fase é de aproximadamente R$ 5,5 bilhões, com meta de alcançar capacidade de até 300 mil veículos por ano até o fim de 2026. Atualmente, o complexo emprega cerca de 5 mil pessoas e pode chegar a 20 mil empregos diretos e indiretos com o avanço das operações.

Segundo a Reuters, o aumento do conteúdo local também é estratégico para atender às regras de origem do Mercosul, que exigem percentuais mínimos de componentes regionais para a concessão de preferências tarifárias. A adequação a essas exigências permitirá viabilizar exportações para países do bloco já a partir deste ano, reforçando o papel do Brasil como possível polo industrial da companhia na América do Sul.

Hoje, a fábrica de Camaçari monta os modelos Dolphin Mini, Song Pro e King, enquanto prepara o início da produção do Song Plus. A operação brasileira, que já é o principal mercado da empresa fora da China, ganha peso dentro da estratégia global de expansão da montadora, especialmente em um cenário de aumento de barreiras comerciais e maior exigência de conteúdo local em mercados estratégicos.

A presença da companhia no país também esteve no centro de uma investigação trabalhista envolvendo empresas contratadas para a construção da fábrica. O caso foi encerrado após acordo judicial que incluiu o pagamento de cerca de R$ 40 milhões.

Foto: Reprodução/BYD

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