40% dos executivos do setor automotivo temem demissões em 2026, aponta estudo

40% dos executivos do setor automotivo temem demissões em 2026, aponta estudo

Quatro em cada dez executivos da indústria automotiva temem perder o emprego em 2026, segundo o AlixPartners 2026 Disruption Index, apresentado no fim de fevereiro. O levantamento, de alcance global, indica que o setor atravessa um dos períodos mais turbulentos de sua história recente, impulsionado pela transição para veículos elétricos e definidos por software, pelo avanço da condução autônoma, pelas tensões comerciais com a China e pelo cenário de inflação mundial, fatores que ampliaram a complexidade e a incerteza na gestão das empresas.

A pesquisa ouviu mais de 3 mil executivos de nível diretivo ou superior em 11 países. Desse total, 60% ocupam cargos de alta liderança, incluindo posições de C-level, em companhias com faturamento mínimo de 100 milhões de dólares. O índice de insegurança registrado na indústria automotiva supera o observado em outros segmentos analisados, evidenciando o impacto direto das transformações tecnológicas e econômicas sobre cargos estratégicos.

Em 2025, montadoras como Ford, Volkswagen, General Motors e Porsche anunciaram cortes de pessoal, reforçando que a disrupção vai além do campo estratégico e já atinge as estruturas organizacionais. As funções consideradas mais vulneráveis são as ligadas à gestão tradicional de produção e à cadeia de suprimentos, áreas pressionadas por modelos de desenvolvimento mais ágeis, maior integração tecnológica e exigência de novas competências.

Apesar do cenário de apreensão, o estudo identifica espaço para crescimento. Cerca de 72% dos executivos entrevistados afirmam enxergar oportunidades nas tecnologias emergentes, como veículos autônomos, sistemas avançados de assistência ao motorista, inteligência artificial e carros definidos por software. Essas inovações podem abrir novas frentes de receita, incluindo assinaturas digitais e serviços adicionais.

Até o momento, no entanto, a aplicação da inteligência artificial tem se concentrado principalmente na redução de custos, em razão dos preços elevados de materiais e dos desafios logísticos. Os ciclos longos de desenvolvimento da indústria também limitam a geração imediata de novas receitas por meio dessas tecnologias.

O levantamento conclui que a introdução de produtos radicalmente diferentes altera requisitos de testes, prazos de lançamento e competências necessárias nas equipes, redefinindo prioridades na gestão corporativa. Nesse contexto, risco e inovação passam a caminhar juntos em um setor que atravessa uma profunda reconfiguração estrutural.

Foto: Reprodução

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