A Geely passou a mirar a liderança do mercado automotivo chinês até 2026, atualmente ocupada pela BYD, após encerrar 2025 com resultados financeiros e operacionais consistentes. A estratégia está centrada no mercado doméstico, onde a disputa é mais intensa, e tem como objetivo aproximar a montadora de um volume anual próximo de 3,5 milhões de veículos vendidos. O movimento acontece em um cenário de transformação do setor, impulsionado pela eletrificação e pela crescente concorrência entre fabricantes locais.
A ambição da Geely se apoia em uma base financeira sólida. A empresa encerrou 2025 com receita de 345,2 bilhões de yuans, alta de 25%, e lucro líquido de 14,4 bilhões, crescimento de 36%. O caixa atingiu 68,2 bilhões de yuans. Ao longo do ano, a montadora revisou sua meta de vendas de 2,71 milhões para 3 milhões de unidades e conseguiu alcançar o novo patamar, o que reforça a consistência na execução.
Para 2026, a meta oficial global é de 3,45 milhões de veículos, embora, internamente, a companhia trabalhe com objetivos ainda mais ambiciosos, com foco no mercado chinês. A disputa com a BYD ocorre em um contexto de estratégias diferentes. Enquanto a líder consolidou sua posição com uma linha totalmente eletrificada, a Geely mantém um portfólio diversificado, que inclui modelos a combustão, híbridos e elétricos. Essa abordagem garante volume, mas também revela uma transição mais gradual para a eletrificação.
Nesse cenário, a marca Zeekr ganha destaque dentro do grupo ao concentrar os modelos de maior valor agregado. O Zeekr 9X apresenta margem reportada de 40%, enquanto o Zeekr 8X superou 30 mil pedidos poucos dias após o início da pré-venda na China. O desempenho desses modelos contribui para melhorar o mix de produtos e já aparece nos indicadores financeiros, com a margem bruta da Geely atingindo 16,9% no quarto trimestre, acima da média anual de 16,6%.
Fora da China, a empresa também acelera sua expansão. A meta oficial aponta para 640 mil unidades no exterior em 2026, mas projeções internas indicam potencial próximo de 750 mil veículos. A estratégia envolve ampliar a rede global, aproveitar a estrutura da Volvo e avançar com marcas como Lynk & Co e Zeekr em mercados estratégicos, incluindo o Brasil.
A infraestrutura de recarga também faz parte desse plano de crescimento. A Geely projeta ultrapassar 50 mil pontos de carregamento rápido nos próximos anos e trabalha no desenvolvimento de modelos capazes de operar com potências de até 1.500 kW. Esse avanço busca fortalecer a competitividade da empresa dentro do ecossistema elétrico.
No Brasil, os movimentos das montadoras já começam a ganhar escala industrial. A BYD avança na nacionalização da produção em Camaçari, na Bahia, inicialmente em regime SKD, enquanto a Geely prepara o início da produção local no segundo semestre, em parceria com a Renault, em São José dos Pinhais, no Paraná.
Ao mesmo tempo, a dinâmica da própria BYD começa a influenciar o cenário competitivo. Em fevereiro, a montadora exportou mais veículos do que vendeu na China, indicando o avanço de suas operações internacionais. Caso essa tendência se mantenha, parte do volume no mercado doméstico tende a se tornar ainda mais disputada.
Mesmo assim, a Geely segue relevante também nos modelos a combustão, que ainda têm peso importante no mercado chinês. Em fevereiro, um SUV da marca liderou as vendas entre veículos a gasolina, reforçando que essa base continua sustentando uma parcela significativa do volume total.
Foto: Divulgação/Geely

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