Em crise, Nissan anuncia reestruturação global

Em crise, Nissan anuncia reestruturação global

A Nissan Motor Co. apresentou, na terça-feira (14), em Yokohama, no Japão, um plano global de reestruturação que prevê a redução de sua linha de veículos, a concentração da produção em plataformas comuns e o uso da China como base de exportação. A iniciativa ocorre após perdas financeiras, aumento do endividamento e defasagem da linha diante da rápida transição do setor para veículos eletrificados, cenário que levou a empresa a reorganizar sua estratégia para recuperar competitividade nos principais mercados.

O projeto inclui a diminuição do portfólio global de 56 para 45 modelos e a concentração de cerca de 80 por cento do volume em três famílias principais de veículos, desenvolvidas com plataformas compartilhadas e direcionadas às regiões de maior relevância. A proposta busca simplificar a operação, reduzir custos e ampliar a eficiência produtiva, além de tornar a linha mais alinhada às demandas de mercados como Estados Unidos e China.

A reestruturação ocorre após o realinhamento da parceria com a Renault e depois de uma tentativa frustrada de fusão com a Honda Motor Co. Nesse contexto, a montadora enfrenta desafios relacionados ao desempenho financeiro e à necessidade de atualização de produtos, especialmente diante do avanço de concorrentes como a Toyota Motor Corporation no segmento de veículos híbridos.

Como meta, a empresa pretende superar a marca de 1 milhão de unidades vendidas por ano tanto nos Estados Unidos quanto na China até 2030, níveis que não são alcançados desde os anos fiscais de 2019 e 2021, respectivamente. Para atingir esse objetivo, a Nissan planeja lançar produtos mais atualizados no mercado americano, incluindo versões híbridas do Rogue e a retomada do utilitário Xterra, reforçando sua presença no segmento de utilitários esportivos.

A estratégia também marca uma mudança de direção na abordagem de eletrificação, com o retorno ao desenvolvimento de tecnologias híbridas após a redução desse investimento a partir de 2019. A empresa aposta em um sistema no qual o motor a combustão atua como gerador de energia para alimentar baterias que movimentam o veículo, buscando combinar eficiência energética com redução de custos.

Na China, a montadora pretende acelerar o desenvolvimento de veículos elétricos, aumentar a eficiência operacional e transformar o país em um centro de exportação para mercados como América Latina e Sudeste Asiático. Entre os modelos previstos para exportação estão o sedã N7 e a picape Frontier Pro, ambos produzidos no mercado chinês.

No Japão, o plano prevê o avanço no segmento de veículos compactos com o lançamento de um novo modelo voltado ao mercado local, com meta de atingir vendas anuais de 550 mil unidades até o ano fiscal encerrado em 2031. A empresa também confirmou a evolução de seus sistemas de assistência ao motorista, com melhorias previstas no ProPilot e desenvolvimento de tecnologias com maior nível de automação até o início de 2028.

A reformulação indica uma tentativa de reposicionamento diante das mudanças aceleradas da indústria automotiva, com foco em escala, eficiência e adaptação às novas demandas tecnológicas e de mercado.

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