A Anfavea defendeu na última terça-feira (5), durante a cerimônia de comemoração dos 70 anos da entidade realizada no Senado Federal, em Brasília, a necessidade de maior previsibilidade regulatória e estabilidade institucional para garantir a competitividade da indústria automotiva brasileira em meio à transição global para novas tecnologias de mobilidade e energia. O posicionamento acontece em um momento de transformação acelerada do setor automotivo mundial, marcado pelo avanço dos veículos eletrificados, pela entrada de novas fabricantes globais e pela disputa internacional por investimentos industriais.
O presidente da entidade, Igor Calvet, afirmou que o Brasil reúne condições estratégicas para ocupar posição de destaque na nova fase da indústria automotiva, principalmente pela combinação entre capacidade produtiva, experiência em biocombustíveis e matriz energética considerada mais limpa em relação à de outros grandes mercados globais. A avaliação da associação é que essas características podem transformar o País em um dos principais polos da transição energética automotiva, desde que haja segurança para investimentos de longo prazo.
A manifestação da Anfavea amplia a pressão do setor sobre o ambiente político e econômico brasileiro justamente em uma fase de reorganização da indústria global. Nos últimos anos, montadoras passaram a acelerar investimentos em eletrificação, desenvolvimento de software embarcado, conectividade e novas plataformas industriais, enquanto governos de diferentes países adotaram políticas industriais para atrair fábricas, centros tecnológicos e produção de baterias.
Dentro desse cenário, o Brasil tenta preservar relevância internacional em um mercado que vive aumento da concorrência, especialmente após o avanço das fabricantes chinesas em mercados emergentes e na América Latina. O movimento elevou o nível tecnológico dos veículos vendidos no País e ampliou a disputa por participação de mercado entre marcas tradicionais e novas fabricantes focadas em eletrificação.
A Anfavea destacou que a indústria brasileira ainda mantém posição estratégica no continente. Atualmente, o País produz entre 2,3 milhões e 2,5 milhões de veículos por ano, concentrando de 60% a 70% da produção automotiva da América Latina. O setor também reúne 53 fábricas de veículos, ampla cadeia de autopeças, centros de pesquisa e desenvolvimento e histórico de inovação em tecnologias ligadas ao etanol e ao sistema flex.
A leitura da entidade é que o Brasil possui vantagens industriais relevantes, mas ainda enfrenta obstáculos estruturais que limitam sua competitividade global. Entre os desafios apontados pelo setor estão a insegurança regulatória, a complexidade tributária e a dificuldade de construção de políticas industriais de longo prazo capazes de sustentar novos ciclos de investimento.
Além de parlamentares, participaram do evento representantes da ABLA, do Sindipeças, da ABVE, executivos de montadoras e representantes diplomáticos da Argentina, da Guiné, da Hungria e da Suécia.
Foto: Imagem feita por IA

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