O Brasil registrou em 2025 o maior volume de carros blindados da história, com 42.800 veículos protegidos ao longo do ano, segundo dados da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin). O resultado representa crescimento de 24,6% em relação a 2024, quando foram blindados 34.402 automóveis, e confirma a consolidação do país como principal mercado mundial de blindagem civil. O avanço é impulsionado principalmente pelo aumento da preocupação com segurança nas grandes cidades, pela evolução tecnológica das blindadoras e pela popularização do serviço entre consumidores de diferentes perfis.
O crescimento do setor impressiona pela velocidade da expansão nas últimas duas décadas. Em 2006, o mercado havia registrado apenas 3.622 blindagens. Comparado ao volume atual, o salto acumulado chega a 1.081%. Em 1995, início da série histórica da entidade, somente 388 veículos receberam proteção balística no país. Hoje, a estimativa é de que cerca de 400 mil automóveis blindados circulem pelas ruas brasileiras.
O aumento da demanda também mostra uma mudança importante no comportamento do consumidor. Até os anos 1990, carros blindados eram associados quase exclusivamente a empresários de alta renda, executivos e diplomatas. Com o agravamento da violência urbana, principalmente nas capitais, a blindagem passou a ser considerada uma solução de proteção patrimonial e familiar. O movimento ganhou força nos últimos anos e ampliou significativamente o tamanho do mercado.
A evolução tecnológica teve papel decisivo nessa expansão. Os primeiros modelos blindados enfrentavam críticas relacionadas ao excesso de peso, perda de desempenho e dificuldade de revenda. Com o avanço dos materiais balísticos, as empresas passaram a utilizar soluções mais leves e resistentes, reduzindo impactos na dirigibilidade e aproximando o comportamento do veículo blindado ao de um carro convencional.
Entre os materiais mais utilizados estão fibras de aramida, aplicadas também em coletes balísticos, e componentes de polietileno de ultra-alto peso molecular, que substituem parte das antigas chapas de aço. O processo permitiu reduzir peso, melhorar a eficiência estrutural e aumentar a confiabilidade do serviço oferecido pelas blindadoras.
A transformação do mercado também alterou o perfil dos veículos mais procurados. Se antes a blindagem estava concentrada em sedãs executivos de luxo, hoje SUVs médios, picapes e modelos de perfil mais discreto dominam a preferência dos consumidores. Marcas como Toyota, Jeep, Volkswagen e Honda ganharam espaço justamente pela combinação entre robustez, confiabilidade e menor exposição visual no trânsito urbano.
Ao mesmo tempo, montadoras premium como BMW, Porsche, Audi, Mercedes-Benz e Volvo continuam relevantes dentro do segmento de maior valor agregado. O avanço da BYD entre as marcas mais blindadas do país mostra ainda que os veículos eletrificados começaram a ocupar espaço em um mercado tradicionalmente dominado por automóveis a combustão.
A concentração regional também evidencia como a blindagem está ligada à dinâmica das grandes metrópoles brasileiras. Somente o estado de São Paulo respondeu por aproximadamente 85% das blindagens realizadas em 2024, com 28.962 veículos protegidos. O Rio de Janeiro apareceu na sequência com 2.669 unidades, seguido por Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
O mercado brasileiro se tornou referência internacional em blindagem para uso civil. Enquanto o Brasil ultrapassa a marca de 40 mil veículos protegidos por ano, países como México e Colômbia registram volumes menores. O setor brasileiro movimenta mais de R$ 2 bilhões anuais e gera cerca de 120 mil empregos diretos e indiretos em toda a cadeia produtiva.
Outro fator que passou a impulsionar a indústria é o aumento da utilização de veículos blindados por órgãos de segurança pública. O avanço do crime organizado e o crescimento das operações de maior risco fizeram com que forças policiais ampliassem investimentos em automóveis protegidos como equipamento operacional de segurança.
No Brasil, a maior parte dos veículos utiliza blindagem de nível III-A, considerada o limite máximo permitido para civis pelo Exército Brasileiro. Esse padrão oferece proteção contra disparos de armas curtas, como pistolas 9 mm e revólveres calibre .44 Magnum.
Depois de períodos de oscilação entre os anos 2000 e parte da década passada, o mercado entrou em uma nova fase de expansão contínua. Desde 2021, o setor registra recordes anuais consecutivos, refletindo tanto a profissionalização da indústria quanto a ampliação da demanda.
Confira a evolução do número de carros blindados no Brasil desde 2006:
- 2006: 3.622 veículos
- 2007: 5.312 veículos
- 2008: 6.982 veículos
- 2009: 6.926 veículos
- 2010: 7.332 veículos
- 2011: 8.106 veículos
- 2012: 8.384 veículos
- 2013: 10.156 veículos
- 2014: 11.731 veículos
- 2015: 18.086 veículos
- 2016: 18.865 veículos
- 2017: 15.145 veículos
- 2018: 11.912 veículos
- 2019: 18.842 veículos
- 2020: 13.837 veículos
- 2021: 20.024 veículos
- 2022: 25.916 veículos
- 2023: 29.296 veículos
- 2024: 34.402 veículos
- 2025: 42.800 veículos
Ranking dos carros mais blindados no Brasil em 2025
- Toyota Corolla Cross — 2.550 unidades
- Jeep Commander — 1.600 unidades
- Toyota Hilux — 1.550 unidades
- Jeep Compass — 1.500 unidades
- BYD Song Plus — 1.450 unidades
- BMW X1 — 1.150 unidades
- GWM Haval H6 — 1.100 unidades
- Toyota Corolla — 1.000 unidades
- Volkswagen T-Cross — 950 unidades
- Volvo XC60 — 900 unidades
Ranking das marcas mais blindadas no Brasil em 2025
- Toyota — 5.850 veículos
- Jeep — 3.450 veículos
- BMW — 3.350 veículos
- Volkswagen — 2.850 veículos
- BYD — 2.650 veículos
- Mercedes-Benz — 2.450 veículos
- Volvo — 2.000 veículos
- Porsche — 1.550 veículos
- GWM — 1.400 veículos
- Audi — 1.300 veículos
Ranking dos carros mais blindados para órgãos de segurança pública em 2025
- Renault Duster — 3.318 unidades
- Toyota Hilux — 3.064 unidades
- Chevrolet Trailblazer — 1.990 unidades
- Toyota Corolla Cross — 1.890 unidades
- Mitsubishi L200 — 1.579 unidades
- Fiat Titano — 1.548 unidades
- Ford Ranger — 1.486 unidades
- Toyota Yaris — 1.274 unidades
- Toyota Corolla — 906 unidades
- Toyota SW4 — 659 unidades

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