A disputa entre BYD Dolphin Mini e Geely EX2 começou a ganhar novos capítulos no Brasil em 2026, justamente no momento em que os carros elétricos compactos passaram a ocupar uma faixa estratégica do mercado nacional. Vendidos na casa dos R$ 120 mil, os dois modelos chineses disputam consumidores que buscam o primeiro elétrico da garagem, além de motoristas de aplicativo e taxistas interessados em reduzir custos operacionais. O cenário se tornou ainda mais relevante após a chegada do EX2, lançado pela Geely com a proposta de enfrentar diretamente o hatch da BYD, atual líder absoluto entre os elétricos mais vendidos do país.
Os números ajudam a explicar a importância dessa disputa. Em abril de 2026, o BYD Dolphin Mini registrou 6.878 unidades vendidas no Brasil, enquanto o Geely EX2 somou 3.602 emplacamentos. Mesmo distante da liderança, o desempenho do estreante mostra que existe demanda para um elétrico compacto com proposta diferente da adotada pela BYD. A estratégia da Geely foi clara desde o início: oferecer mais espaço interno, maior desempenho e um conjunto mais próximo de um SUV urbano, sem fugir da faixa de preço que popularizou os elétricos chineses no país.
No valor de entrada, o Dolphin Mini segue mais competitivo. A versão GL parte de R$ 119.990, enquanto o Geely EX2 Pro custa R$ 123.800. A diferença, porém, começa a diminuir quando entram na conta despesas como seguro e revisões. O modelo da Geely tende a apresentar custos menores de seguro, fator relevante principalmente para quem pretende utilizar o veículo de forma profissional.

Apesar de disputarem o mesmo público, os dois carros seguem caminhos bastante diferentes em proposta e execução. O Dolphin Mini aposta em um visual mais ousado e urbano, com linhas futuristas e identidade visual agressiva. Já o EX2 trabalha uma estética mais limpa e arredondada, aproximando-se visualmente de um crossover compacto. A diferença mais importante, entretanto, aparece no porte.
O Geely EX2 entrega dimensões superiores em praticamente todos os aspectos. São 4,13 metros de comprimento e entre-eixos de 2,65 metros, medidas que o colocam próximo de SUVs médios vendidos no Brasil. O Dolphin Mini, por sua vez, mede 3,78 metros e possui 2,50 metros de entre-eixos. Na prática, o resultado aparece diretamente no espaço interno. O EX2 acomoda melhor os passageiros traseiros e ainda oferece saídas de ar-condicionado para a segunda fileira, compartimentos extras de armazenamento e sensação de cabine mais ampla.
O porta-malas reforça ainda mais essa diferença de proposta. O Geely oferece 375 litros no compartimento traseiro e mais 70 litros em um bagageiro dianteiro sob o capô. O Dolphin Mini possui 230 litros, número mais próximo do encontrado em subcompactos urbanos. Para quem pretende usar o carro em viagens, transportar bagagens com frequência ou trabalhar com aplicativos, a vantagem prática do EX2 acaba sendo significativa.

Na lista de equipamentos, os dois modelos chegam bem posicionados diante de rivais a combustão na mesma faixa de preço. Ambos oferecem seis airbags, freio de estacionamento eletrônico, monitoramento de pressão dos pneus, central multimídia compatível com Android Auto e Apple CarPlay e sensores de estacionamento. O Dolphin Mini, contudo, leva vantagem em alguns detalhes importantes para o uso cotidiano. A câmera 360 graus possui melhor resolução, o sistema multimídia é mais intuitivo e o acabamento interno transmite sensação mais refinada. Além disso, o modelo da BYD oferece carregador de celular por indução e ajuste elétrico do banco do motorista nas versões superiores.
O EX2 responde com uma central multimídia maior, de 14,6 polegadas, além de um conjunto mecânico claramente superior. Enquanto o Dolphin Mini entrega 75 cv de potência e tração dianteira, o Geely utiliza um motor traseiro de 116 cv com tração traseira, configuração rara nessa faixa de preço no Brasil. A diferença aparece principalmente nas acelerações e retomadas. O EX2 é mais rápido, mais ágil em ultrapassagens e transmite sensação de desempenho mais próxima da encontrada em modelos maiores.
A dinâmica também evidencia filosofias diferentes entre as marcas. O Geely utiliza suspensão traseira independente multilink, solução normalmente reservada a carros mais caros. O Dolphin Mini segue com eixo de torção, mas recebeu ajustes importantes de calibração desde seu lançamento. O resultado é um carro mais confortável e firme do que nas primeiras unidades avaliadas no mercado brasileiro. Ainda assim, o EX2 se mostra mais equilibrado ao lidar com irregularidades urbanas e lombadas, beneficiado também pela maior altura em relação ao solo.

Quando o assunto é autonomia, a disputa fica equilibrada. O Geely EX2 utiliza bateria de 39,4 kWh e possui alcance de 289 quilômetros segundo o Inmetro. O Dolphin Mini GS trabalha com bateria de 38 kWh e autonomia declarada de 280 quilômetros. Na prática, a diferença é pequena no uso urbano, mas o modelo da Geely leva vantagem no carregamento rápido. O EX2 aceita cargas de até 70 kW e recupera de 30% a 80% da bateria em cerca de 21 minutos. Já o Dolphin Mini limita o carregamento rápido a 40 kW e precisa de aproximadamente 30 minutos para atingir o mesmo nível.
A comparação entre os dois modelos ajuda a explicar um movimento maior do mercado brasileiro. Os elétricos chineses deixaram de competir apenas pelo menor preço e passaram a disputar consumidores oferecendo propostas diferentes dentro da mesma faixa de valor. A BYD consolidou o Dolphin Mini como referência em acessibilidade, equipamentos e presença de mercado. A Geely, por outro lado, entrou no país tentando ocupar o espaço de quem quer um elétrico mais espaçoso, potente e próximo de um carro familiar.
Para quem busca o melhor custo-benefício urbano, com foco em equipamentos, facilidade de condução e rede já consolidada, o Dolphin Mini continua sendo uma escolha bastante racional. Já para o consumidor que valoriza espaço interno, desempenho superior, maior porta-malas e recarga mais rápida, o Geely EX2 surge hoje como um dos elétricos compactos mais interessantes desta nova fase do mercado brasileiro.
Foto: Feita por IA

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