A Câmara dos Deputados discute a criação de corredores exclusivos para motociclistas em vias urbanas e rodovias de todo o país como forma de organizar o trânsito, reduzir acidentes e adaptar a mobilidade urbana ao crescimento acelerado da frota de motos no Brasil. O projeto de lei, que já avançou em comissões do Congresso Nacional, busca ampliar nacionalmente o modelo conhecido como “faixa azul”, já utilizado em cidades como São Paulo.
A proposta estabelece que os corredores sejam implantados entre as pistas mais à esquerda das vias, criando um espaço específico para a circulação das motocicletas. A medida surge em um momento em que o aumento do número de motos nas ruas passou a pressionar a infraestrutura urbana e ampliar os conflitos no trânsito, principalmente nos grandes centros.
O principal argumento dos parlamentares favoráveis ao projeto é a segurança. Com mais motos circulando diariamente, sobretudo impulsionadas pelos serviços de entrega e transporte por aplicativos, cresceu também a preocupação com acidentes envolvendo motociclistas em meio ao fluxo intenso de carros.
Hoje, o Código de Trânsito Brasileiro não proíbe explicitamente que motos trafeguem entre os veículos, desde que a manobra seja realizada com segurança. Na prática, porém, essa circulação já se tornou parte da rotina nas grandes cidades brasileiras, o que levou o debate para além da fiscalização e passou a envolver soluções de engenharia de tráfego e organização viária.
A proposta também incorpora oficialmente os corredores exclusivos à Política Nacional de Mobilidade Urbana, sinalizando uma mudança na forma como o poder público enxerga o papel da motocicleta dentro do sistema de transporte brasileiro. Nos últimos anos, as motos deixaram de ocupar apenas um nicho de baixo custo e passaram a desempenhar função estratégica na mobilidade urbana, especialmente em regiões metropolitanas.
Além da questão da segurança, a discussão revela um movimento maior do mercado e do comportamento do consumidor. Com o aumento dos preços dos automóveis, juros elevados e dificuldades de acesso ao crédito, muitos brasileiros migraram para motocicletas como alternativa mais acessível de deslocamento e trabalho.
Caso o projeto avance e seja aprovado pelo Congresso, estados e municípios poderão ampliar a adoção do modelo em avenidas e rodovias, exigindo investimentos em sinalização, adaptação viária e fiscalização. O tema, no entanto, ainda divide opiniões entre especialistas em trânsito, que discutem os impactos da medida na fluidez do tráfego e na convivência entre diferentes modais.
Mesmo com o avanço nas comissões, o texto ainda precisa passar por novas etapas de tramitação antes de se transformar em lei.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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