Ford muda produção de elétricos para competir com chinesas em preço

Ford muda produção de elétricos para competir com chinesas em preço

A Ford Motor Company prepara uma nova geração de veículos elétricos de baixo custo nos Estados Unidos e aposta em uma picape média inédita, prevista para 2027, como peça central de uma estratégia criada para enfrentar o avanço das fabricantes chinesas no mercado global de EVs. O projeto começou em 2022 dentro da companhia, com uma estrutura independente formada por engenheiros vindos de empresas como Tesla e Apple. O objetivo era desenvolver uma arquitetura capaz de reduzir drasticamente os custos industriais e tornar os elétricos da marca mais competitivos em preço.

As informações foram reveladas pelo Wall Street Journal e por veículos especializados da imprensa americana. Atualmente, cerca de 800 profissionais trabalham no programa em centros da Ford localizados em Long Beach, Palo Alto e Dearborn. A iniciativa faz parte de um investimento estimado em US$ 5 bilhões e passou a ser tratada internamente como uma das mudanças mais profundas já realizadas pela montadora em sua estrutura de desenvolvimento e produção.

O projeto evidencia uma transformação cada vez mais visível na indústria automotiva. Nos últimos anos, fabricantes chinesas ampliaram rapidamente sua participação global no segmento de elétricos ao combinar produção simplificada, integração industrial e baterias de menor custo. Esse avanço pressionou montadoras tradicionais a rever plataformas, processos produtivos e estratégias que, durante décadas, sustentaram o modelo industrial do setor.

A nova arquitetura elétrica da Ford nasce justamente nesse cenário. A proposta da empresa é simplificar a construção dos veículos para reduzir o tempo de fabricação, o número de peças e os custos operacionais. Um dos pilares da plataforma será o uso de grandes estruturas integradas, conhecidas na indústria como “megacastings” ou “unicastings”. A solução substitui centenas de componentes menores por peças estruturais únicas, diminuindo etapas de montagem e aumentando a eficiência da linha de produção.

A montadora também desenvolveu um novo sistema produtivo chamado internamente de “assembly tree”. Nesse modelo, partes principais do veículo, como dianteira, traseira e bateria, são montadas separadamente antes da união final do automóvel. Segundo a Ford, o método pode acelerar a produção em até 15% e reduzir aproximadamente 20% do total de componentes utilizados.

Outra mudança importante está na parte elétrica do veículo. A empresa afirma ter eliminado mais de 1,3 quilômetro de cabos em comparação com o Ford Mustang Mach-E, além de reduzir cerca de 10 quilos de peso. A simplificação ajuda diretamente na eficiência energética e no controle de custos, dois fatores considerados essenciais para tornar os elétricos mais acessíveis.

A futura picape também utilizará baterias prismáticas LFP, sigla para lítio-ferro-fosfato, tecnologia que vem ganhando espaço globalmente por oferecer menor custo de produção e maior durabilidade em relação às baterias tradicionais compostas por níquel e cobalto. As células serão produzidas nos Estados Unidos, na fábrica BlueOval Battery Park, em Michigan.

Além da química LFP, a Ford pretende utilizar bateria estrutural integrada ao assoalho do veículo. A solução melhora a rigidez estrutural, reduz peso e amplia o espaço interno da cabine. Segundo executivos da empresa, a área interna deverá oferecer dimensões comparáveis às de SUVs médios, como o Toyota RAV4.

A nova arquitetura também foi projetada para operar com maior integração de software e atualizações remotas ao longo da vida útil do veículo, movimento que aproxima a Ford do modelo adotado por empresas de tecnologia automotiva e reforça a mudança de perfil da indústria.

O CEO Jim Farley afirmou que a companhia percebeu não existir um caminho gradual capaz de tornar os elétricos realmente competitivos em preço. Segundo ele, a necessidade de enfrentar o avanço chinês obrigou a Ford a repensar praticamente toda a sua lógica de engenharia e produção.

A futura picape elétrica será fabricada na unidade de Louisville, nos Estados Unidos, e deverá inaugurar uma nova fase da estratégia global da Ford para veículos elétricos.

Foto: Imagem

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