A BYD alterou a política de garantia dos veículos elétricos e híbridos vendidos no Brasil e passou a estabelecer limite máximo de quilometragem para clientes particulares a partir da linha 2026/2027. A mudança encerra uma das condições mais agressivas oferecidas pela fabricante chinesa desde o início da operação nacional e ocorre em um momento em que a marca amplia rapidamente sua presença no mercado brasileiro, aumenta a frota circulante e consolida atuação entre consumidores de alta utilização, como motoristas de aplicativo e frotistas.
Com as novas regras, a garantia geral dos modelos passa a ser de seis anos ou 200 mil quilômetros para uso particular, prevalecendo o que ocorrer primeiro. Antes, a cobertura mantinha o mesmo prazo em anos, mas sem restrição de quilometragem. Para veículos de uso comercial, a garantia será de seis anos ou 100 mil quilômetros.
A fabricante também revisou as condições de cobertura dos principais componentes elétricos. A bateria de tração e o motor elétrico seguem protegidos por oito anos, porém agora limitados a 200 mil quilômetros tanto para clientes particulares quanto para profissionais. Segundo os novos critérios da marca, a bateria continuará considerada dentro dos padrões normais caso preserve pelo menos 60% da capacidade original durante o período de garantia.
Os sistemas de alta tensão também tiveram alterações. Componentes como carregador embarcado, módulos eletrônicos e conversores passam a ter cobertura de oito anos ou 200 mil quilômetros nos veículos particulares. Já nos modelos utilizados comercialmente, o prazo cai para cinco anos, mantendo o mesmo limite de rodagem.
Itens sujeitos a desgaste natural permanecem dentro de uma cobertura menor. Suspensão, direção, amortecedores e central multimídia continuam enquadrados na garantia de três anos ou 60 mil quilômetros.
A decisão provocou repercussão entre consumidores nas redes sociais, principalmente entre usuários que percorrem longas distâncias diariamente. Parte dos comentários demonstrou preocupação com possível impacto na revenda dos veículos e na atratividade dos modelos para operações comerciais, segmento que ajudou a impulsionar o crescimento da marca no país nos últimos anos. Outros consumidores, porém, consideraram que os novos limites ainda permanecem acima da média de utilização da maior parte dos proprietários particulares.
A mudança também revela uma transição importante na estratégia da BYD no Brasil. Quando iniciou as operações no país, a fabricante utilizou garantias extensas como ferramenta para reduzir a resistência do consumidor brasileiro aos veículos eletrificados chineses. A ausência de limite de quilometragem ajudava a reforçar a percepção de confiança em um mercado ainda marcado por dúvidas sobre durabilidade de baterias, custos de manutenção e valor de revenda.
Agora, com a expansão acelerada da frota e o aumento da participação da marca no mercado nacional, o cenário passa a exigir um controle maior sobre custos de pós-venda e cobertura técnica. Nos bastidores do setor automotivo, a avaliação é de que a revisão aproxima a operação brasileira de padrões mais sustentáveis para uma fabricante que deixou a fase inicial de entrada no mercado e passou a disputar espaço em larga escala.
Mesmo com a mudança, a BYD ainda mantém uma política de garantia considerada competitiva diante de parte das montadoras tradicionais presentes no Brasil, especialmente no segmento de veículos eletrificados. Ainda assim, o fim da quilometragem ilimitada reduz um diferencial que vinha sendo amplamente explorado pela marca como argumento comercial.
A fabricante também reforçou que a validade da cobertura depende do cumprimento do plano de revisões dentro da rede autorizada. Reparos realizados fora das concessionárias da marca ou a ausência de manutenção periódica poderão resultar na perda da garantia.
Foto: BYD/Divulgação

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