Honda recua nos elétricos e aposta em tecnologia que transforma CO₂ em combustível

Honda recua nos elétricos e aposta em tecnologia que transforma CO₂ em combustível

A Honda decidiu mudar sua estratégia recente ao reduzir investimentos em veículos elétricos e direcionar esforços para o desenvolvimento de combustíveis sintéticos mais limpos, conforme revela um pedido de patente identificado no German Patent and Trade Mark Office. A iniciativa surge após a empresa enfrentar dificuldades tecnológicas e financeiras em projetos de eletrificação e tem como objetivo diminuir emissões mantendo o uso do motor a combustão, especialmente em aplicações como a aviação executiva.

Nos últimos anos, a montadora cancelou parte relevante de seus planos para veículos elétricos, incluindo projetos como o 0 Series SUV e o Acura RSX. Diante desse cenário, a empresa passou a concentrar esforços em soluções que aumentem a eficiência energética de motores já consolidados, apostando tanto na hibridização quanto no desenvolvimento de novos combustíveis.

O pedido de patente descreve a criação de um combustível sintético sustentável voltado inicialmente para aeronaves HondaJet. A proposta utiliza como base o processo Fischer-Tropsch, técnica tradicional de produção de hidrocarbonetos a partir de gases, mas com adaptações que buscam torná-la mais viável do ponto de vista ambiental e industrial.

De acordo com o documento, engenheiros da Honda modificaram o processo ao substituir o uso de monóxido de carbono por dióxido de carbono e hidrogênio como matérias-primas. Um catalisador próprio é responsável por transformar esses gases em cadeias de hidrocarbonetos, que posteriormente são ajustadas até atingir as características necessárias para a produção de querosene de aviação.

A patente também detalha um reator cilíndrico desenvolvido para controlar com maior precisão o fluxo de gases durante a reação. O sistema permite ajustar a formação das moléculas, garantindo que os hidrocarbonetos gerados tenham o tamanho adequado para a etapa final de síntese do combustível.

A estratégia retoma um padrão histórico da engenharia da Honda, que consiste em aperfeiçoar tecnologias existentes. O documento faz referência ao sistema CVCC, introduzido no Civic na década de 1970, que permitiu atender às exigências de emissões nos Estados Unidos sem comprometer o desempenho do motor.

No campo ambiental, a proposta sugere o uso de dióxido de carbono como insumo para fechar o ciclo de emissões. A empresa já realiza experimentos de captura de carbono em seu centro de pesquisa em Tochigi, utilizando estruturas com algas para absorver CO₂ da atmosfera.

A iniciativa se soma a outras alternativas exploradas pela indústria, como os projetos de eFuel da Porsche e o desenvolvimento de combustível sustentável de aviação, que utilizam matérias-primas como milho e cana-de-açúcar. Apesar disso, o principal desafio permanece na escala de produção, já que os custos ainda são superiores aos dos combustíveis fósseis e o volume disponível é limitado.

Foto: Unplash

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