A Mercedes-Benz inaugurou o novo Centro Industrial de Zárate, na Argentina, em um movimento que marca a retomada de grandes investimentos industriais automotivos no país e amplia a integração produtiva da companhia com o Brasil. A nova planta recebeu US$ 110 milhões em investimentos e se tornou o primeiro projeto greenfield da indústria automotiva argentina nos últimos 15 anos, reforçando a estratégia da Daimler Truck de fortalecer sua presença na América Latina em meio às mudanças globais do setor de transporte e logística.
A inauguração ocorreu em Zárate, região considerada estratégica pela proximidade com o porto e pela conexão logística com importantes corredores rodoviários argentinos. O complexo foi projetado para concentrar integralmente a produção de caminhões e ônibus da marca no país, algo tratado pela companhia como o início de um novo ciclo para a operação local. O evento reuniu mais de 800 convidados, entre executivos globais, autoridades, concessionários, fornecedores e colaboradores.
A abertura da nova unidade acontece em um momento simbólico para a fabricante alemã, que celebra 130 anos da invenção do caminhão, 80 anos do Unimog e 75 anos de atuação industrial na Argentina, primeiro mercado fora da Alemanha a produzir veículos da marca. A presença de executivos globais da Daimler Truck durante a cerimônia reforçou o peso estratégico que a operação sul-americana ganhou dentro da estrutura mundial do grupo.
Segundo Achim Puchert, CEO da Mercedes-Benz Trucks, a nova fábrica representa um marco para a companhia ao permitir, pela primeira vez, foco exclusivo em caminhões e ônibus na Argentina. Já Till Oberwörder, CEO da Daimler Buses, destacou a importância da operação para ampliar a capacidade de produção local de ônibus e fortalecer o transporte coletivo no mercado argentino.
Além do impacto industrial, a nova estrutura também amplia a conexão operacional entre Argentina e Brasil. Denis Güven, principal executivo da operação local, afirmou que a unidade foi concebida para gerar sinergias produtivas com as fábricas brasileiras, incluindo compartilhamento de processos, conhecimento técnico e práticas industriais. O movimento acompanha uma tendência crescente entre montadoras globais de regionalizar cadeias produtivas para reduzir custos, melhorar a eficiência logística e aumentar a competitividade.
Construído em uma área de 20 hectares, o complexo inicia as operações produzindo os caminhões Atego e Accelo, além dos chassis de ônibus OH e OF. A localização próxima ao porto e à Rodovia Nacional 9 foi escolhida para acelerar a distribuição, reduzir custos operacionais e facilitar futuras exportações para outros mercados da região.
A estrutura também foi planejada para futura expansão, acompanhando a transformação tecnológica da indústria automotiva. O projeto prevê capacidade de adaptação para novos modelos e futuras soluções de mobilidade, em linha com a pressão global por veículos mais eficientes, sustentáveis e conectados.
Outro destaque da nova operação é a instalação da primeira planta REMAN da Argentina, especializada na remanufatura de motores, transmissões e cabeçotes para caminhões e ônibus. A estratégia busca reduzir custos de manutenção para os clientes e, ao mesmo tempo, ampliar a agenda de sustentabilidade da empresa por meio do reaproveitamento industrial de componentes.
O complexo ainda abriga um centro logístico de peças inaugurado no fim de 2024, responsável por entregas em até 48 horas em todo o território argentino. Em um segmento no qual a disponibilidade operacional é decisiva para transportadoras e operadores de frota, o fortalecimento do pós-venda se tornou um dos principais pilares competitivos das fabricantes de veículos comerciais.
A operação emprega cerca de 500 funcionários diretos e mais de 2 mil indiretos, incluindo concessionários e oficinas autorizadas espalhados em 45 pontos do país. A expectativa da companhia é transformar Zárate em um dos principais polos industriais da Mercedes-Benz na América Latina.
A expansão ocorre em meio ao forte desempenho comercial da marca no mercado argentino. Em 2025, a Mercedes-Benz lidera o segmento de caminhões no país, com 33,4% de participação, e mantém 61,3% do mercado de ônibus.
Foto: Mercedes/Divulgação

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