CEO da Stellantis reage ao avanço chinês e cobra resposta do governo

CEO da Stellantis reage ao avanço chinês e cobra resposta do governo

O CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, esteve no Brasil na terça-feira (7), para apresentar os resultados positivos da companhia na América do Sul e discutir o avanço das montadoras chinesas no mercado nacional, tema que ganhou relevância diante do aumento da competitividade e das mudanças estruturais na indústria automotiva.

Durante a visita, o executivo destacou que o crescimento das marcas chinesas no país está diretamente ligado a fatores estruturais, como a elevada capacidade ociosa da indústria na China e o planejamento de longo prazo, que permitiu a criação de um ecossistema produtivo altamente competitivo. Esse cenário tem gerado um desequilíbrio competitivo no mercado brasileiro, especialmente em relação às montadoras que operam com maior conteúdo local.

A discussão ganhou força a partir do modelo de produção adotado por algumas empresas chinesas, baseado na importação de kits desmontados para montagem no Brasil, prática que, na avaliação da indústria tradicional, amplia a diferença de custos e pressiona a concorrência. Diante disso, a Stellantis passou a defender que o tema seja tratado como uma questão de Estado, com a participação da Anfavea e do governo federal na avaliação desse cenário.

A proposta envolve a criação de um corpo técnico para medir o chamado gap competitivo e, a partir disso, discutir possíveis mecanismos de equalização, incluindo medidas fiscais. Entre as alternativas analisadas está a revisão de tarifas sobre produtos importados, estratégia já utilizada em outros mercados e que também foi aplicada recentemente no Brasil, ainda que sem impedir o avanço das marcas chinesas.

Mesmo com esse contexto, o desempenho comercial dessas montadoras segue em crescimento. Um dos exemplos mais recentes foi a liderança do BYD Dolphin Mini nas vendas do varejo em março, marcando a primeira vez que um modelo elétrico alcança a primeira posição no ranking mensal. O resultado reforça a presença da BYD no país e evidencia a mudança no comportamento do mercado, que passa a desafiar a liderança histórica de marcas tradicionais, como a Fiat.

Enquanto o debate sobre competitividade avança, a Stellantis mantém posição de liderança na América do Sul. No primeiro trimestre, a companhia superou 232 mil veículos emplacados e alcançou cerca de 21,2% de participação de mercado na região. Em março, foram mais de 89 mil unidades comercializadas, com crescimento de 29% em relação a fevereiro.

No Brasil, principal mercado da empresa, foram mais de 174 mil veículos vendidos no acumulado do ano, o que garantiu participação de 29,1% e leve avanço em relação ao final de 2025. Na Argentina, a montadora também liderou o mercado no período, com mais de 42 mil unidades emplacadas e participação de 28,9%, com destaque para o desempenho do Peugeot 208, que foi o modelo mais vendido em março no país.

O cenário atual indica uma transformação na dinâmica da indústria automotiva no Brasil, marcada pelo avanço das montadoras chinesas e pela necessidade de revisão das condições de competitividade, tema que passa a ser discutido também no âmbito das políticas públicas e da regulação do setor.

Foto: Divulgação/Stellantis

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