A BYD estuda produzir a picape média Shark na Argentina, em uma estratégia para reduzir custos e ampliar sua presença no Brasil. A avaliação ocorre após executivos da empresa visitarem as instalações da Prestige Auto, em Virrey del Pino, na região de Buenos Aires, com o objetivo de analisar a viabilidade de uma operação de montagem por encomenda. A iniciativa busca contornar a alíquota de 35% de Imposto de Importação aplicada a veículos vindos da China e, ao mesmo tempo, equilibrar as regras do acordo automotivo bilateral entre Brasil e Argentina.
A possível produção em solo argentino surge como alternativa para tornar a Shark mais competitiva em preço em um segmento relevante para o mercado regional. Atualmente fabricada na China, a picape enfrenta uma barreira tarifária que encarece sua chegada ao Brasil e limita seu desempenho comercial, considerado tímido até o momento. Ao transferir parte da operação para a Argentina, a BYD poderia acessar condições mais favoráveis de comércio dentro do Mercosul, reduzindo o impacto tributário e ampliando o potencial de vendas.

O movimento também tem implicações diretas no chamado mecanismo Flex, que regula o fluxo de importação e exportação de veículos entre os dois países. Hoje, a operação da montadora encontra restrições porque o volume exportado da Argentina é insuficiente para compensar o número de veículos que a empresa pretende vender no Brasil. Com a produção local da Shark, a companhia ganharia maior equilíbrio nessa conta, criando condições para expandir sua atuação no mercado brasileiro, inclusive com modelos produzidos no país.

A articulação envolve nomes experientes da indústria. Daniel Herrero, ex-presidente da Toyota Argentina e responsável por consolidar a liderança da Hilux na região, está à frente da Prestige Auto e conduz as negociações. Sua relação com Bernardo Fernández Paz, diretor da BYD, tende a facilitar o alinhamento técnico necessário para viabilizar a montagem da picape com certificação de produção local.

Do ponto de vista industrial, a estratégia reduz riscos e acelera a execução. Ao utilizar uma estrutura já existente, a BYD evita investimentos iniciais elevados e encurta o tempo de entrada em operação. Esse modelo tem sido adotado por montadoras que buscam ganhar escala rapidamente na América Latina, combinando eficiência de custos com adaptação às regras comerciais da região.
Com cerca de 430 cavalos e motorização híbrida plug-in, a Shark foi concebida para disputar espaço em um dos segmentos mais relevantes da América do Sul, marcado pela forte demanda por picapes médias. A possível produção na Argentina indica uma mudança na abordagem da BYD, que passa a ajustar sua estratégia industrial às especificidades locais para enfrentar concorrentes tradicionais em condições mais equilibradas.
Foto: Reprodução/BYD

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