O mercado brasileiro de veículos seminovos registrou em abril de 2026 um avanço na procura por modelos compactos e SUVs urbanos, movimento que ajudou o Toyota Yaris Hatch a liderar o ranking dos usados mais rentáveis para lojas e concessionárias no país. O levantamento, divulgado pela MegaDealer com dados da plataforma Auto Avaliar, mostrou que o hatch japonês alcançou margem média de 11,4% e levou apenas 33 dias para ser vendido, desempenho que colocou o modelo entre os principais ativos do varejo automotivo no período.
Com preço médio de R$ 95 mil, o Yaris passou a reunir características consideradas estratégicas para o segmento de usados. Além da boa liquidez, o modelo mantém forte aceitação entre consumidores que buscam veículos com menor custo de manutenção, histórico de confiabilidade e revenda mais previsível. Em um mercado pressionado pelo aumento do preço dos carros zero-quilômetro, seminovos recentes ganharam espaço como alternativa para compradores que tentam equilibrar valor de compra e nível de equipamento.

O destaque do mês também ficou com o Volkswagen Taos. O SUV médio registrou o menor tempo médio de estoque do levantamento, com apenas 32 dias até a venda. O modelo teve margem média de 10,2% e preço médio de R$ 149 mil. O desempenho indica que os SUVs continuam mantendo forte demanda no mercado de usados, mesmo diante de um cenário de crédito mais restritivo em parte do país.
A velocidade de revenda do Taos reforça uma tendência que vem sendo observada no setor automotivo brasileiro desde o avanço dos preços dos veículos novos nos últimos anos. Muitos consumidores passaram a migrar para seminovos mais equipados e recentes como forma de acessar categorias superiores pagando menos do que em um modelo zero-quilômetro equivalente.

O terceiro lugar ficou com o Renault Kwid. O compacto registrou a maior margem do ranking, atingindo 15,1%, embora tenha apresentado um giro mais lento nas concessionárias, com média de 53 dias em estoque. O preço médio ficou em R$ 54 mil.
O resultado do Kwid mostra um comportamento diferente dentro do mercado de usados. Apesar da alta rentabilidade para lojistas, o consumidor desse segmento costuma depender mais diretamente das condições de financiamento e do valor das parcelas, fator que influencia o ritmo das negociações.
O estudo também apontou desempenho positivo de modelos como Hyundai HB20, Volkswagen Polo, Toyota Corolla Cross, Fiat Pulse, Volkswagen Nivus, Honda HR-V, Chevrolet Tracker e Haval H6.
Segundo a MegaDealer, abril foi especialmente favorável para hatches compactos e veículos de entrada, categoria que segue concentrando grande parte da demanda no mercado de usados. O cenário reflete um consumidor mais atento ao custo operacional, ao consumo de combustível e às despesas de manutenção em meio ao aumento do custo de vida e ao crédito mais caro.
Enquanto os compactos ganharam força, picapes médias e grandes continuam enfrentando maior dificuldade nas revendas. Além do ritmo mais lento de comercialização, esses modelos vêm registrando pressão nas margens, influenciados pelo aumento do seguro, pelo custo elevado de manutenção e pela redução da procura em parte do mercado.
No consolidado de abril, o ticket médio das vendas de usados no Brasil atingiu R$ 88.887. A margem bruta média ficou em 11%, enquanto o tempo médio de permanência dos veículos nos estoques chegou a 41 dias.
Foto: Divulgação

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