O governo federal oficializou na última quinta-feira, dia 14, a criação do Departamento de Eletromobilidade dentro do Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília, em uma medida que marca a primeira estrutura federal dedicada exclusivamente ao avanço dos veículos eletrificados no Brasil. A iniciativa foi estabelecida por meio do Decreto nº 12.973 e surge em meio ao crescimento das vendas de carros elétricos e híbridos plug-in no país, impulsionado principalmente pela expansão das marcas chinesas e pela ampliação da rede de recarga.
A nova área ficará vinculada à Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento e terá a responsabilidade de formular, executar e acompanhar políticas públicas relacionadas à eletromobilidade. Entre os principais focos estão o desenvolvimento da infraestrutura de recarga, a integração dos veículos elétricos ao sistema energético nacional, além da criação de diretrizes para o mercado de baterias.
Na prática, o novo departamento deverá atuar em temas considerados estratégicos para a próxima etapa da transformação automotiva brasileira. O escopo inclui a expansão dos eletropostos, a interoperabilidade dos sistemas de recarga e políticas voltadas ao armazenamento de energia. O decreto também prevê ações ligadas ao reaproveitamento, à reciclagem e à destinação final de baterias, um dos principais desafios ambientais e industriais associados ao avanço da eletrificação.
Outro ponto central será o desenvolvimento de medidas voltadas à eficiência eletroenergética. O objetivo é preparar a infraestrutura elétrica brasileira para suportar o aumento gradual da demanda por recarga, especialmente diante da expectativa de crescimento da frota eletrificada nos próximos anos. O departamento também deverá trabalhar em estratégias relacionadas aos recursos energéticos distribuídos, buscando reduzir impactos sobre o sistema elétrico nacional.
A criação da nova estrutura representa uma mudança importante na forma como o governo federal passa a tratar a eletromobilidade. Até então, as discussões sobre veículos elétricos estavam distribuídas entre diferentes áreas da administração pública, sem um órgão específico concentrando planejamento, coordenação e desenvolvimento regulatório dentro do MME.
O movimento acontece em um momento de aceleração do mercado brasileiro de eletrificados. Nos últimos anos, a entrada agressiva das fabricantes chinesas ampliou a concorrência no setor e elevou a pressão sobre montadoras tradicionais, tanto em tecnologia quanto em infraestrutura e posicionamento de mercado. Paralelamente, a expansão da rede de carregamento começou a reduzir uma das principais barreiras para a adoção dos veículos elétricos no país.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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